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E nós que ficamos?
 

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E nós que ficamos?

 

Pr. Luciano Alves Silva

Nesses dias Deus tem levado alguns dos nossos amados para estar com Ele. E com isso, ficamos aqui, com um incômodo vazio, com uma dor que não tem jeito. Uma dor que machuca, por mais que saibamos que eles estão melhor. Aliás, eu arriscaria dizer que só saber que eles estão bem não nos consola.

O céu é um mistério e é a coisa jamais imaginada por alguém, que nos fará plenos de alegria indizíveis. Mas, enquanto a gente não vai (e só vê gente amada indo) a dor nos come por dentro. Uma saudade louca nos devora e, na realidade, a gente nunca quis que chegasse a hora que, já vinha sendo prenunciada há tempos. E há casos mais difíceis ainda, quando quem vai é ainda jovem e, às vezes, criança. Ai a dor é maior.

Nós, os que ficamos não nos acostumamos, não. Na realidade, o que eu acho que acontece é que somos forçados a aprender um novo jeito de viver e de esperar, com essas ausências insubstituíveis. E essa espera é um misto de tristeza crônica, misturada a espasmos de alegria, amalgamada com as esperanças daquele dia, que virá. Então, nessa nesga de força, a gente vai insistindo com a vida. E outra coisa que nos ajuda são exemplos de gente que perdeu mais do que nós e que continuaram a existir tristes, despedaçados, mas, firmes. Se é que é possível algum resultado nessa equação.

Sempre que eu penso em alguém que sofreu muito na vida com perdas de entes queridos lembro-me da minha Tia Maria. Esposa e mãe de cinco filhos. Casou-se na Bahia, o marido fazendeiro empreendedor, comprou terras no Paraná (Maringá), e para lá se mudaram, ainda nos anos 1950. As terras griladas foram ganhas na justiça, mas os expropriados voltaram numa madrugada, armados e cuidaram de aterrorizar os novos donos. Eles mataram meu tio a tiros na presença da tia Maria. Ao sofrer agressões, deixou cair sua criança de colo, que veio a falecer dias depois. Sob o trauma da experiência horrível do Paraná, migrou para São Paulo com os filhos e reencontrou minha mãe. Foi morar na Água Rasa, bairro da Zona Leste, perto da Mooca.

Dos demais filhos, Neuza, uma menina pré-adolescente, ao voltar da escola, foi arrastada pelas enchentes, morrendo afogada. Ainda outro dos seus filhos, Ebenésio, foi um missionário católico. Casou em maio de 1982, em julho do mesmo ano foi evangelizar índios em Obido (cidade do Pará); com parcos recursos, asmático, teve uma crise e morreu na missão, sendo sepultado debaixo de uma igrejinha católica da cidade. Minha tia se quer o pode enterrar. Analfabeta, me pedia para ler uma carta que ele tinha-lhe escrito, assim que chegou ao Pará. Enquanto eu lia, suas lágrimas claras escorriam pelo rosto triste. Assim, ela foi a vida mais triste que eu conheci e, estranhamente, a mais cheia de esperança. Crente batista desde adolescência, tia Maria mantinha uma fé simples e pura no Salvador. De todos os filhos, restou, o mais velho, Valdívio e a enteada, Valda. Eu gostava de abraçar minha tia. Sem falar nada ela me enchia de alegria. E com tudo o que passou,ainda era bem humorada.

A dor de cada pessoa é única. E, há pessoas que são únicas, na vida da gente, quando a gente passa pela dor. E o maior exemplo de dor é o do próprio Salvador, Jesus de Nazaré. Moído pelos nossos pecados. Não abriu sua boca. Não revidou. Sofreu, morreu na cruz e ressuscitou. E, embora a dor, porque Ele vive a gente pode acreditar numa manhã melhor.

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